Velho (e belo) amigo
um abraço a José Mário Brandão 


Todos os abraços, estão aquém daquele que ele possa ter dado.

Recuperar os movimentos e as dinâmicas da produção artística em Portugal a partir  dos anos de 1980 é também recuperar a figura do galerista e pensador José Mário Brandão e toda a constelação de artistas que a partir dele puderam gravitar. Este sentido de ser-radiante encaixa nas medidas de ação de JMB, que ao longo do seu percurso sempre procurou projetar, dar a ver e iluminar o outro, não fosse essa, no seu entender, a principal existência da sua prática. Mesmo sabendo da ligeireza deste gesto, o Espaço MIRA apresentaVelho (e belo) amigo, um ensaio para uma constelação-expositiva onde se traça um movimento recíproco do eu ao outro e em sentido inverso, reunindo obras e depoimentos de Albuquerque Mendes, Aglaíze Damasceno, António Lago, Carla Filipe, Efrain de Almeida, Gonçalo Pena, João Marçal, João Sousa Cardoso, José Almeida Pereira, Mauro Cerqueira, Miguel Soares, Nuno Ramalho, Nuno Sousa Vieira, Pedro Tudela, Paulo Lisboa, Cláudia Saldanha, Eglantina Monteiro, Francisco Alves e João Luís, onde se partilha um estado de presença e reconhecimento junto de José Mário Brandão.

Num país adverso aos artistas, à cultura e às artes, no passado e no presente, a primeira porta e o primeiro abraço foi muitas das vezes o de José Mário. Hoje, as dinâmicas não correspondem ao abraço do passado, ainda mais individual, menos coletivo, mesmo assim, de toda a dimensão desse gesto, p’ra você que me esqueceu - aquele abraço! (Gilberto Gil, Aquele Abraço, 1969)


João Terras 
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